sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Ultimamente.

Os dias tem sido estranhos ultimamente. Estranhos porque, talvez, todos tenham sido iguais a apenas um.
A verdade é que desde esse tal dia, que tem se repetido durante todos os que descorreram depois dele, já não sei mais o que esperar, pensar e fazer.
Estou numa briga comigo mesmo pra entender algumas coisas que aconteceram e estou perdendo feio.
Os dias estão longos, o cansaço está me dominando e quando finalmente posso descansar, você sabe o que acontece: Não consigo.
Não sei se é bem um motivo pra reclamar. Implorei por dias diferentes e fora do normal. Mas implorei tanto que mal tinha percebido que eles realmente estavam acontecendo e minha reação não foi gritar “FINALMENTE!”. Não sei o que esperar, nem de mim e nem dos outros. As coisas estão estranhas mas eu sei que o problema sou eu (ou deve ser).

terça-feira, 8 de março de 2011

Epifania.

- Quero que saiba: só tenho por você, o desprezo. Ainda assim, agradeço por comparecer.

- Igualmente. E, se me concede um comentário, me agrada muito ver que se tornou um ser assim tão afável.

- De fato, não lhe consenti nenhum comentário. Porém, isso não é importante. [...] Enfim, por que veio?

- Mas não seria esse o acertado? Pelo que me record...

- Sua presença me impõe uma clemência, coisa que desmereço.

- Pare de transformar de tal maneira o seu discurso! Permaneça me detestando: eu apesar de tudo, não lhe desculpei. Queria apenas vê-la mais uma vez.

- [...] Eu lhe vi em diferentes ocasiões logo que fui embora. Discreta que sou, fui até no seu matrimônio. Aliás, como Juliet permanecia linda naquele vestido! Fiquei alegre por ter se casado logo em seguida ao meu afastamento: garantia de que o mundo sempre gira da maneira como acreditamos e queremos que o faça. E filhos, tiveram?

- Nenhum. Animais de estimação contam?

- Sim.

- Também não.

- Que pena. Bem, eu tive um filho. Dei a ele o seu nome, Max. Contudo, o mais perfeito dos filhos são os netos. Minha neta, tão moça, tão admirável... Alegria transbordante! Recordo-me em tempos passados. Já a peguei roubando uns trocados de minha carteira, porém nada que doa. Sei de seus planos: fugirá com o adorável namorado no verão – está guardando dinheiro para a escapada.

- Espantosa a maneira como se assemelham tanto, apesar dos objetivos absolutamente opostos... Se eu soubesse que você iria partir, não teria apenas fugido com você no verão, é sim seqüestrado-a em plena primavera. [...] No dia em que foi embora, eu ia pedi-la em casamento.

- Minha resposta teria sido sim. Por isso parti.

- Não é nada fácil digerir isso, mesmo 52 anos depois.

- Acredite, é fácil, querido. Você resistiu e agora permanece aqui, recriando-me como entende que deva ser.

- Estou sonhando? Maldição! Tudo fruto da minha imaginação, apenas.

- Não, você está morrendo.

- Então deveria ter dito: Max, vim lhe buscar. Levar-te-ei ao céu, – ou ao inferno, como saberei? – já que não pude fazer isso em vida.

- Sublime e antiquado demais para meus costumes. Contenha-se.

- Eu estou sonhando.

- Você está sonhando. Você é um velho sonhador.

- Ou não. Por isso fostes; meu vazio era conflitante para você.

- [ . . . ] Perdoe-me. Por tudo.

- Nada tenho nada para perdoar. Minha memória é de todo ruim.

- Igualmente. Max, eu quase não me recordava da sua fisionomia; lembrava somente que detestava a maneira como você respirava, articulava e observava a todos. Aliás, ainda detesto.

- Eu também amo você, Lily.

Lua cheia.


Eu havia tido mais um pesadelo. Sentei-me na cama e observei o relógio. Ainda eram três da manhã.

O quarto permanecia no escuro e se encontrava muito abafado, então me ergui e andei até a janela. Quando a abri, fiquei entorpecida. Era lua cheia, e ela cintilava como jamais havia visto. Sustentei meus braços no beiral da janela para contemplá-la. Não sei exatamente quanto tempo permaneci ali.

Sem compreender, uma lágrima correu dos meus olhos, contornando minha bochecha e caindo em minha blusa. Eu a sequei e respirei profundamente. Não era uma lágrima de angústia, era de alegria. Eu não sabia o porquê de estar assim. Então, percebi que a lua estava tão intensa quanto os olhos dele, quando olhava dentro dos meus. Talvez eu estivesse preocupada com tudo que estava ocorrendo comigo, ou talvez, eu apenas estivesse apaixonada.

Metáfora

Com caminhares duvidosos e sorrisos meio embebidos, ela notava que ia cair a qualquer momento. Mas não importava. Nada mais importava.

Somente aquele sorriso adorável que planava em seu pensamento havia dias. Aquele que a fazia sorrir. Isso bastava.

Contudo, pelo visto, o dela não satisfazia a ele.

Ela retirou-se da festa, deprimida.

Precisava refletir.

Assentada em um banquinho poucos metros atrás da enorme morada, ela percebeu a máscara de felicidade ruindo.

Por que tudo havia de ser tão difícil? E não era somente com ele, mas com tudo. Seus amigos, sua família, sua doença.

Não era correto. Ela só desejava ser feliz.

Ele não conseguiu encontrá-la. E determinou de uma vez por todas, que ia procurar. De fato, desta vez. Mas ela não jazia em lugar algum na sala.

Resolveu respirar.

E foi quando a viu.


Alguém sentou ao seu lado. Ela nem observou para ver quem era. Não carecia, já sabia.
Ele a chama. Ela vira sua cabeça para ele.

Então ele observa as lágrimas descendo por aquele rosto tão gentil. Tão sereno. Admirável. Ele o preferia com um sorriso no rosto.

— Oh, Cherrie. Porque choras? — Ele pergunta angustiado, automaticamente passando a mão pelas lágrimas da moça.

— Não chore. O que ocorreu?

— Nada. — Disse ela com um tom de voz estranho e virou o rosto para o outro lado.

Ele entendeu. Ele sempre entendia.

— Eu estou aqui. Tudo ficará bem. — Ele falou, abraçando-a e dando um beijo no alto da sua cabeça. Ela sorriu.

— Você ainda a ama. — Foi tudo que ela disse.

O silêncio prevaleceu por alguns minutos.

— Não. — Ele articulou.

— Mentiroso. — Contestou.

Ele a beijou.

E tudo tornou-se mais adorável.

Frias noites.


Eu amo a noite. É sereno, mutável e sóbrio. Diferentes tons. Identifico-me. Aos poucos as estrelas surgem, como frascos de felicidade, em meio a uma doce desordem.

Melhores amigos.

As páginas amareladas entram em contado com os meus dedos. Eu sorrio por dentro, mal conseguindo disfarçar o encanto ao qual sou submetida. Descubro as letras pequenas e escuras que compõem parágrafos extensos e observo a curiosidade tomar conta de mim. Eu sinto o aroma da cultura e da sabedoria subentendidas nas páginas e sou tomada por um intenso anseio de gargalhar.
Então começa a mais perfeita das parte. Meus olhos percorrem as linhas e eu mordo a minha boca a cada conflito e clímax. Irradio felicidade a cada vitória e choro pelas mortes dos meus personagens preferidos. Penso nas histórias o tempo inteiro e não consigo interromper a leitura antes das três horas da madrugada. Me encontro com palavras difíceis, e por isso tenho sempre um dicionário por perto. Aonde quer que eu vá, eu levo o meu livro comigo, e abro-o nos intervalos entre as aulas e no carro, indo para qualquer lugar.
Ah, livros. Meus maiores vícios, minhas maiores obsessões. Eu os amo, eu os anseio mais e mais. Eu os quero para mim. Eu devoro-os; eu sou a devoradora de livros. Afinal de contas, são eles quem me advertem e me protegem da realidade dura e cruel à qual eu pertenço.

Em ritmo apressado.

Todos em seus devidos lugares.

A corrida começa. O amor larga em primeiro lugar, vagaroso porém ganhando espaço, superando barreiras e vencendo limites. Até que para sua admiração, surge a decepção. Trazendo consigo a mentira e a omissão. O ódio desperta para os fatos e vai para a corrida, ganhando um espaço significativo. Todos duelam, arrancando faíscas uns dos outros. E qualquer dos oponentes parecem desistir. Á essa altura estão um tanto cansados. E para o espanto da plateia, surge a esperança, essa por vez caminha lenta, arrastando consigo o afeto e a ternura. A corrida volta ao ritmo acelerado, e todos os jogadores colidem. O medo nasce, firme e forte, vindo á correr imediatamente, os motores funcionam rápido demais, prestes á fundir. Até que acontece á explosão. E como flechas, todos os oponentes se unem ao adversário inicial, o amor. Que vence, mesmo originando tantos estragos. Se isso é bom ou ruim, eu ainda não sei.