terça-feira, 8 de março de 2011

Metáfora

Com caminhares duvidosos e sorrisos meio embebidos, ela notava que ia cair a qualquer momento. Mas não importava. Nada mais importava.

Somente aquele sorriso adorável que planava em seu pensamento havia dias. Aquele que a fazia sorrir. Isso bastava.

Contudo, pelo visto, o dela não satisfazia a ele.

Ela retirou-se da festa, deprimida.

Precisava refletir.

Assentada em um banquinho poucos metros atrás da enorme morada, ela percebeu a máscara de felicidade ruindo.

Por que tudo havia de ser tão difícil? E não era somente com ele, mas com tudo. Seus amigos, sua família, sua doença.

Não era correto. Ela só desejava ser feliz.

Ele não conseguiu encontrá-la. E determinou de uma vez por todas, que ia procurar. De fato, desta vez. Mas ela não jazia em lugar algum na sala.

Resolveu respirar.

E foi quando a viu.


Alguém sentou ao seu lado. Ela nem observou para ver quem era. Não carecia, já sabia.
Ele a chama. Ela vira sua cabeça para ele.

Então ele observa as lágrimas descendo por aquele rosto tão gentil. Tão sereno. Admirável. Ele o preferia com um sorriso no rosto.

— Oh, Cherrie. Porque choras? — Ele pergunta angustiado, automaticamente passando a mão pelas lágrimas da moça.

— Não chore. O que ocorreu?

— Nada. — Disse ela com um tom de voz estranho e virou o rosto para o outro lado.

Ele entendeu. Ele sempre entendia.

— Eu estou aqui. Tudo ficará bem. — Ele falou, abraçando-a e dando um beijo no alto da sua cabeça. Ela sorriu.

— Você ainda a ama. — Foi tudo que ela disse.

O silêncio prevaleceu por alguns minutos.

— Não. — Ele articulou.

— Mentiroso. — Contestou.

Ele a beijou.

E tudo tornou-se mais adorável.

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